
Sous Vide é uma técnica de cocção em sacolas plásticas fechadas à vácuo em banho Maria por longos períodos de tempo. Este método de cocção permite uma baixa perda de peso, volume e nutrientes, além de uma precisão maior no ponto da substancia.
Graças ao longo tempo de preparo dos ingredientes, possui um alto grau de pasteurização, tornando carnes como a carne de porco mais seguras para consumo de populações com baixo grau imonológico.
É necessário um preciso controle de temperatura, para que se mantenha o ponto correto e atingir uma pasteurização eficiente.
Graças à falta de contato direto com material emissor de calor (como seria uma chapa), as proteínas possuem aparências de escalfadas, sendo necessário o uso de uma chapa/frigideira ou um maçarico para obter os mesmos resultados externos.

No caso de um bife de carne vermelha mal passada, ao invés de selar um lado na frigideira e depois virar e colocar no forno a 135 graus centígrados até que o centro chegue a 55 graus, basta colocar a carne à vácuo por 2 horas a 55 graus, resultando em um perfeito bife mal passado desde a crosta até o centro, só sendo necessário passar em uma frigideira para dar uma estética parecida com o chapeado.
No caso de carnes mais duras como o coxão de fora, um tratamento de 24 horas e 55 graus o torna tão macio como um mignon.
A técnica pode ser preparada tanto em banho Maria quanto em fornos combinados, sendo que fornos combinados, apesar de poder preparar grandes quantidades de alimento, não esquentam uniformemente a preparação.

Em temperaturas elevadas, é comum que os sacos plásticos inflem, sendo necessário uma grade para não deixar que flutuem, e não cheguem perto dos outros sacos, impedindo uma transferência perfeita de calor.
Uma questão muito complicada neste preparo são os temperos que nem sempre agem da forma esperada como em outros métodos tradicionais. Aromáticos como Aipo, cenoura e cebola não irão amenizar ou saborizar mais o prato. A maioria dos vegetais requerem temperaturas mais elevadas de prepararo e devem ser produzidos separadamente. Adicionalmente, alho cru produz resultados muito pronunciados, devendo ser substituído por alho em pó em pequenas quantidades. Bebidas alcoólicas como vinho devem perder o álcool antes de se colocado à vácuo, pois durante o processo o álcool passa da forma líquida para a forma gasosa, inflando o saco de vácuo, o que pode causar uma cocção irregular no ponto onde o gás está presente.
Para manter o volume e o sabor dos temperos, é interessante fazer uma marinada das carnes antes de passar pelo processo de sous vide, fazendo-a reter líquidos e quebrar a densidade das fibras. O uso de um Jaccard (conjunto de lâminas finas que rasgam a carne levemente, quebrando as fibras) é opcional, mas recomendado para fazer o tempero pegar melhor na carne. O Jaccard se utilizado corretamente não deixa nenhuma marca aparente na carne, sendo muito utilizado em churrascarias.
O processo em que a proteína é submetida no sous vide faz com que o colágeno presente na carne seja bem dissolvido, além de reduzir a adesão das inter-fibras, tornando a carne macia em todos os seus pontos, assim como em um escalfe.
A eficiência do processo se deve a condutividade térmica da água, que é 23 vezes maior que a do ar.
Duplicar a grossura da carne quadruplica a velocidade de cocção, devido a perda de contato com a área quente (água), fazendo com que o centro da proteína demore mais para ser aquecido.
Selar a carne em uma frigideira/chapa ou maçarico é muito importante no caso de carnes por causa do efeito Maillard (o escurecimento) que adiciona um considerável sabor e aparência agradável.
Já que as gorduras são muito importantes para o efeito Maillard, pincele a carne com óleo vegetal puro ou óleo de nozes.
Se utilizar uma chapa, certifique-se de que ela esteja a aproximadamente 230 graus.
Caso use um maçarico, prefira um que utilize gás butano, pois este não adiciona gosto à comida.
Para o uso de ovos crus na cozinha, é interessante o uso do sous vide para a pasteurização, tornando possível fazer maioneses com ovos crus pasteurizados, sem riscos significativos de conter a bactéria Salmonella Enteridis.
Para pasteurizar ovos, é necessária a temperatura de 57 graus durante 1 hora e 15 minutos. Você pode armazenar os ovos da mesma forma como faria com ovos crus.
Esta técnica se mostra uma excelente opção para restaurantes de gastronomia contemporânea que desejam investir em alimentos mais saudáveis e saborosos, além de ter um controle melhor no processo de produção e longo tempo de armazenagem devido à pasteurização.

4 Pessoas opinando na bancada:
Caro Bruno,
Em primeiro lugar, parabéns pelo site. Além de ser muito bem formatado apresenta um conteúdo bastante interessante. Com o fortalecimento de nossa economia creio que o segmento de gastronomia tende, como muitas outras áreas de nosso país, a crescer bastante.
Visitei seu site durante uma consulta ao nosso oráculo digital "Google". Na busca de informações sobre manuseio e preparo de carnes acabei direcionado à sua página, que até então desconhecia.
Trabalho com equipamentos para embalar a vácuo produtos, incluindo carnes. Caso ache interessante, posso lhe fornecer informações sobre o processo de embalamento a vácuo.
Mais uma vez parabéns pelo site. Vou consultá-lo daqui em diante.
Atenciosamente,
Marcelo Nishikawa
marcelon@sunnyvale.com.br
Olá Marcelo! Em primeiro lugar, bem vindo ao Tecnocook!
Realmente a gastronomia tende a crescer bastante, afinal ninguém pode deixar de comer, e comer bem é uma das coisas que deixam as pessoas mais felizes.
Acho muito interessante a participação do público do site, todos nós temos muito a aprender, e todos também temos muito a ensinar.
O site está aberto para participações, então quem ler este comentário que quiser mostrar seu trabalho, sinta-se a vontade para entrar em contato.
A área de embalamento à vácuo é uma área muito interessante, eu adoraria expor suas idéias sobre a questão.
Eu mesmo tenho algumas dúvidas, como por exemplo: "Qual o preço médio de uma máquina de vácuo para casa?" ou "Quanto de pressão deve ser utilizada para embalar alimentos?".
Qualquer informação que me passar com certeza será muito útil.
O email para contato é sputnicker@tecnocook.com.br
Abraços e obrigado pela visita e disposição em ajudar!
Espero você por aqui... ;D
Amigo, gostaria de saber se esta técnia pode ser aplicada para assar costela de gado, no tipo "costelão". Minha idéia seria assar a costela na técnica do sous-vide e ao invés de selar a carne, terminar de assar ela no espeto, em uma churrasqueira, no estilo gaucho.
Caro amigo anônimo.
Na teoria, você pode usar esta técnica em qualquer tipo de carne.
Porém, tudo depende do tamanho da costela...rsrs
Se for pedaços pequenos de costela, é perfeitamente usável, devendo ser usada por um longo período de tempo (entre 48 e 52 horas a 50 graus), para então fazer a selagem na churrasqueira.
Porém, se for uma costela inteira, você vai precisar de um bom equipamento industrial, e uma caldeira ;)
Acredito que o tempero chimichurri (com alho em pó, não alho normal) seja um bom acompanhante para a técnica, além de muito saboroso.
Qualquer dúvida, por favor volte a postar que terei o maior prazer em poder lhe ajudar.
Abraço e obrigado pela visita!
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